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O que é e como funciona a Constelação Familiar?

Atualizado: 23 de set.

É possível que a primeira vez que você tenha ouvido falar da Constelação Familiar tenha sido muito recente. De fato, a popularidade dessa modalidade terapêutica tem aumentado muito ultimamente. Talvez você tenha visto algo em algum artigo de autoconhecimento ou algum amigo tenha feito e recomendado para você. Se você chegou até aqui através de uma pesquisa no Google ou sabe muito pouco sobre a constelação familiar, definitivamente você está no lugar certo.


O precursor das constelações familiares, Bert Hellinger, foi um padre missionário na África e que desenvolveu os princípios da fenomenologia ao observar o comportamento das famílias e suas tribos, comparativamente com a cultura europeia. Ele entendeu, ao longo dos anos de trabalho com essas sociedades, que existia um padrão de comportamento individual que se refletia na forma de interação com a sua família/sistema.


Ele chegou a observar três grandes leis que, quando não eram respeitadas, causavam transtornos pessoais que poderiam se repetir geração após geração. Elas são conhecidas como leis sistêmicas, tal como segue abaixo.


A Lei do Pertencimento

A lei do pertencimento se estabelece pela necessidade de pertencer ao nosso sistema familiar. Todos que fazem parte da família têm o direito de pertencer​. Isso inclui os que morreram precocemente, os abortos, deficientes, os tidos como ‘maus elementos’, enfim, absolutamente todos os membros de uma família. É muito comum ver histórias familiares rompidas e esquecidas, entes que foram excluídos e núcleos familiares que se desconectaram de seus antecessores por necessidade ou escolha. A verdade é que a existência de um rompimento forçado no núcleo familiar, ‘o esquecimento’ daquilo que se considerava uma parte indesejada da família, tem consequências danosas que podem não ser vistas num primeiro momento, mas que vêm à tona através da dinâmica da constelação. Existem traumas vividos pelos antepassados que por vezes irão reverberar três ou quatro gerações a frente e que uma terapia comum não é capaz de trazer a luz, mas que surge através da constelação. Podemos citar o exemplo de fobias, problemas mentais e emocionais diversos. Por detrás dessa lei está a ideia de que quando alguém é esquecido, ou excluído, está sendo negado a um membro, a pertinência no sistema e isso irá gerar uma necessidade irresistível do próprio sistema de restabelecer a integridade perdida e compensar a injustiça cometida, reintegrando o elemento ao seu pertencimento.



A Lei do Equilíbrio

A segunda lei, a lei do equilíbrio, traz a necessidade de se manter o equilíbrio entre o dar e receber ​nas relações e na vida. Funciona da seguinte maneira: um dá, o outro recebe e, de preferência, toma, porque tomar é mais ativo do que receber. Então, quem recebe fica grato e, de certa forma, em dívida. Portanto, dá de volta. Idealmente, dá um pouco mais e assim quem recebe dessa vez, fica com a dívida e irá retribuir. Isso gera um vínculo crescente no qual o amor pode crescer. Do contrário, quando alguém ou um grupo recebe mais do que dá, se instaura o desequilíbrio que pode seguir por gerações até que a justiça possa ser feita e o equilíbrio restabelecido. Existem algumas exceções, naturais ao movimento da vida. Como, por exemplo, o amor dos pais pelos filhos, o amor de apenas dar sem nada pedir em troca, protegendo a sobrevivência dos descendentes e de sua linhagem. Numa relação a dois, quando se vê que um dá mais do que o outro, nunca existirá paz. O que dá mais assume uma postura indireta de superioridade e quem está embaixo de alguma forma irá desejar ferir o outro, para diminuí-lo de forma de estabelecer a igualdade e assim, o equilíbrio.


A Lei da Ordem

A terceira lei é estabelecida pela ordem de chegada no sistema. Trata-se, portanto, de uma hierarquia cronológica, na qual quem veio antes precisa ser reconhecido como tal​. Sem esse reconhecimento e o respeito a isso, há um desequilíbrio no sistema também. Isso significa, portanto, que os pais vêm antes dos filhos, assim como o amor entre os pais vem antes da relação pai-filho ou mãe-filho, primeiro filho vem antes do segundo e assim por diante. Vale frisar que essa é uma ordem de precedência, e não de importância.

A lei sistêmica da ordem faz referência ao respeito natural que devemos entregar a todas as pessoas que nasceram antes de nós na família. Enquanto quem veio primeiro se sobressai, quem nasceu depois deve ser guiado, protegido e também tem a preferência sobre o direito da vida. Como os mais novos é que levarão a família a frente, deverão, portanto, serem protegidos em caso de vida ou morte. Assim cada um de nós possui também direitos e responsabilidades com o sistema. Quando a desconsideração e desrespeito surgem, conflitos vêm à tona e dificultam os relacionamentos familiares. No momento em que um filho acaba renegando a importância dos pais faz com que a sua própria existência perca valor. Os pais, por sua vez, atribuindo responsabilidades incompatíveis aos filhos comprometem o desenvolvimento deles. A ordem também pode ser observada dentre os irmãos. A grande questão é que cada um tem o seu papel e quem sai dele enfraquece a si e a todo o sistema. Muitos são os conflitos observados nas famílias em que a origem está exatamente em seus membros fora da sua ordem de fato. São filhas que fazem o papel de esposas, ou que são mães de seus pais, irmãos que por vezes não sabem da existência de outros irmãos e tendem a ficar desajustados na vida.



Vale lembrar que, por se tratarem de leis naturais, elas são universais e permeiam toda e qualquer relação humana​, seja ela pessoal, familiar ou na sociedade (relacionamentos, profissão e etc). Quando as leis são violadas em um sistema podem surgir compensações que atuam nos membros desse sistema, podendo atingir várias gerações, que se manifestam em forma de depressões, doenças, dificuldades nos relacionamentos, dificuldades financeiras, dentre outros aspectos.

Por meio das Constelações Familiares Sistêmicas é possível identificar qual dessas três leis está em desequilíbrio e aonde está a origem deste desbalanço. A partir daí é possível proceder com a reconciliação, trazendo o fluxo natural da vida de volta, proporcionando uma reabertura dos caminhos seja na vida emocional, financeira ou profissional de quem está buscando essa terapia.


O cliente pode perceber em que lugar o seu amor está oculto e bloqueado e adotar uma nova postura diante daquilo que se mostra, fazendo com que essas leis sejam novamente restauradas e respeitadas e o amor volte a fluir, tornando sua vida mais leve e as dinâmicas de sua vida bem mais saudáveis e produtivas.



Tudo isso porque o trabalho terapêutico reverbera naquilo que chamamos de campo magnético, que de acordo com os novos estudos de física quântica é capaz de mudar a energia/vibração de uma vivência, mudando, portanto, a realidade na qual ela está inserida. Pensamento é sentimento e se torna ação. A vibração, assim como as nossas emoções é a consciência se manifestando num "caos" (estrutura de espaço e tempo) criado para gerar experiências. O universo então é um reflexo da nossa consciência coletiva que cria constantemente sem cessar, respeitando as "leis dos estados vibratórios". Dessa forma a cura de um padrão disfuncional reverbera não só na vida do indivíduo, como também na vida de todo o sistema ao qual ele está inserido.


Numa era onde o individualismo sempre se destacou como filosofia de vida, talvez possa soar como um contrassenso as leis sistêmicas, entretanto o efeito prático benéfico que essa modalidade terapêutica têm surtido na vida das pessoas faz com que muitos busquem na Constelação a mudança daquilo que tanto afligem o seu cotidiano.


Caso você tenha gostado desse artigo e tenha alguma dúvida, comente aqui embaixo. Ficarei feliz em ajudar. Se você acha que as informações aqui podem ajudar alguém que você conheça, não deixe de compartilhar!


E se você se interessou nessa modalidade de terapia, entre em contato comigo e agende a sua consulta!




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